Blog da galera jovem que luta com o Deputado Federal Luiz ALberto por um Brasil mais justo e igual!

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Maragojipe ganha agência da Caixa em 2011

O Deputado Federal Luiz Alberto (PT/BA) esteve nesta quinta-feira (18) em reunião na Caixa Econômica Federal, em Brasília, com o Superintendente Nacional do Nordeste, Nelson de Sousa, para formalizar a instalação de uma agência da Caixa Econômica em Maragojipe. As obras têm previsão de começar a partir de fevereiro de 2011.

“Com o funcionamento das plataformas da Petrobras no município a previsão é de aumentar a população local e, com isso, crescer também a deficiência no atendimento bancário”, afirmou Luiz Alberto, durante a reunião, ao defender a importância da instalação de uma agência e não de um posto de auto-atendimento na cidade.

O município de Maragojipe, no recôncavo baiano, tem uma população de aproximadamente 43 mil habitantes, 2 mil servidores públicos municipais, estaduais e federais e centenas de aposentados.

Atualmente, o Banco do Brasil é a única instituição que serve à cidade. O superintendente da Caixa, Nelson de Sousa, informou mais uma vez que o plano da Caixa Econômica para o próximo ano é de expansão do banco pelo nordeste do país, com previsão de criar mais 200 agências nesta região.

Foto: Ascom Caixa


20 de Novembro – É dia de reflexão Negra!

Neste ano o dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, vai comemorar os 315 anos de homenagens à história e memória do maior revolucionário negro: Zumbi dos Palmares. O Dia da Consciência Negra representa para a população um marco de resistência, é dia de sair nas ruas e lutar contra o racismo, a exclusão, injustiça e clamar por respeito e igualdade.

É o dia de manifestar, mas também é o dia de celebrar conquistas como as cotas raciais em algumas Universidades públicas do país; avanços no debate sobre o negro e o espaço de poder; o aumento significativo de secretarias, órgãos e departamentos de promoção da igualdade no Brasil; a inclusão da história da África no currículo escolar; a certificação das terras quilombolas.

Mas, como o dia da Consciência Negra é momento de reflexão, temos ainda muitos desafios pela frente: aprovação de um Estatuto da Igualdade que não esteja esfarelado, e que contemple de fato todas as questões como reparação, saúde da população negra, direitos das comunidades remanescentes dos quilombos, cotas para negros e negras nas Universidades e repartições públicas; vamos precisar derrotar a elite conservadora concentrada em espaços de poder como a Câmara dos Deputados, para que possamos formular um conjunto legítimo de proposições legislativas que levaria inclusão  social à população negra brasileira.

Precisaremos acabar com o extermínio contra a juventude; incluir essa juventude negra no mercado de trabalho, em condições dignas de trabalho; e mostrar  a toda sociedade brasileira a importância e o respeito que devemos ter com as religiões de matriz africana, que preserva em sua essência a tradição religiosa e cultural africana.

Por fim, desejo que toda a população negra brasileira, neste 20 de Novembro, ao homenagear e lembrar a memória Zumbi dos Palmares,  busque forças para continuar a luta contra o racismo no Brasil.

Luiz Alberto
Deputado Federal (PT/BA)

Foto: AGECOM


Novembro Negro movimenta programação cultural e artística

O estado mais negro fora da África comemora, durante este mês de novembro, o Dia Nacional da Consciência Negra (sábado, 20) realizando uma programação intitulada Novembro Negro, que se desenvolve na capital e no interior, gratuitamente.

Com a mensagem ‘Combate ao Racismo e Promoção da Igualdade’ e em sua quarta edição, o projeto reforça a disposição do governo em dar sequência ao projeto – que provoca a mobilização e o debate sobre o racismo – iniciado com a criação da Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi), em 2007.

nov3
Exposição Gente do Quilombo, no Palácio Rio Branco – Foto: Ronaldo Silva/AGECOM

Realizado em parceria com Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), o evento conjuga ações da sociedade, órgãos do governo e das prefeituras, com uma série de atividades para a reflexão sobre a ocupação dos espaços pelo homem e a mulher negra na sociedade contemporânea e as possibilidades de reverter quadros de discriminação e de exclusão desta população. O Novembro Negro inclui ainda na pauta de discussão, as relações sociais discriminatórias e as conquistas da população negra baiana e brasileira.

O projeto conta com uma forte campanha publicitária, que chegou às ruas na semana passada, com veiculação em outdoors, jornais, revistas e ônibus. Este ano, os esforços são voltados para dar maior visibilidade ao empenho do governo da Bahia em consolidar ideias e práticas que sustentam as ações públicas para a superação das desigualdades.

“Esta edição tem procurado fazer um balanço do que foi o trabalho dentro dessa ampla agenda de promoção da igualdade, especificamente da racial, aproveitando o caráter da data para fazermos essa reflexão, porque a Sepromi, como uma novidade nessa gestão, precisa aproveitar todas as possibilidades de encontrar um caminho para trilhar”, afirma a secretária de Promoção da Igualdade, Luiza Bairros.

Programação

nov
Exposição Gente do Quilombo, no Palácio Rio Branco – Foto: Ronaldo Silva/AGECOM

Os amantes da fotografia podem conferir em 60 imagens, no Palácio Rio Branco, a simplicidade marcada nos olhares tímidos dos mais velhos e a alegria estampada nos rostos das crianças de comunidades de Rio das Rãs, Mangal, Barro Vermelho, Barra e Bananal. As cenas são eternizadas pelas lentes dos fotógrafos Rita Cliff, Márcio Lima e Alvaro Villela.

A advogada Célia Moreira ficou impressionada com o colorido e preto e branco das imagens da Exposição Gente de Quilombo. “Importante divulgar essa visão sobre o negro. É difícil na sociedade valorizar a presença desse povo. A exposição provoca uma reflexão positiva”. A visitante ressaltou a luta para garantir a manutenção do Decreto Federal 4.887/2003, que trata dos procedimentos para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras quilombolas.

nov2
Exposição Mulheres Africanas, no Palácio da Aclamação – Foto: Ronaldo Silva/AGECOM

Na Galeria do Conselho, no Palácio da Aclamação, no Campo Grande, estão expostas 15 esculturas da Exposição Mulheres Africanas, que dão vida e forma às mulheres negras. Pelas mãos da artista plástica Surama Caggiano, as curvas, vestimentas africanas e adereços foram trabalhados em material reciclado. Do Senegal, Nigéria, Libéria, Cabo Verde, Burkina Faso, Togo, Costa do Marfim, o feminino é retratado pela artista que, pela primeira vez, expõe na capital baiana. A mostra fica em Salvador até 6 de dezembro.

Praças, bibliotecas, parques, escolas, salas de cinema e de teatro, terreiros de candomblé também são invadidos pela cultura negra e suas diferentes abordagens. Na Biblioteca Pública dos Barris, a exibição de filmes também garante um novo olhar sobre a cultura negra. “A temática é importante para dar visibilidade aos heróis negros e estimular os estudantes a se tornarem protagonistas. A autoestima é extremamente relevante para o aprendizado e formação. Na Bahia, todas essas produções podem ser aproveitadas o ano todo”, afirma a professora de etnomídia, Lindiwe Aguiar.

Zumbi dos Palmares

A comemoração do 20 de Novembro como Dia Nacional da Consciência Negra surgiu na segunda metade dos anos 1970, no contexto das lutas dos movimentos sociais contra o racismo. O dia homenageia Zumbi, símbolo da resistência negra no Brasil, morto em uma emboscada, no ano de 1695, após sucessivos ataques ao Quilombo de Palmares, em Alagoas. Desde 1995, Zumbi faz parte do panteão de Heróis da Pátria.

O dia se consolidou como um momento propício a reflexões sobre a situação do negro e da negra no Brasil, à medida que as celebrações foram ganhando maiores proporções e angariando mais apoios. Hoje, em todas as regiões do País são realizadas atividades relacionadas à temática e algumas capitais como Rio de Janeiro e São Paulo instituíram feriado municipal nesta data.

Além de ser parte do calendário de atividades do Movimento Negro, o 20 de Novembro foi incorporado por algumas instituições oficiais como a Fundação Cultural Palmares (FCP), vinculada ao Ministério da Cultura, e a Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), ligada à Presidência da República.

Fonte: Salvador Diário


MARCO HISTÓRICO: DILMA ROUSSEFF É ELEITA A PRIMEIRA MULHER PRESIDENTA DO BRASIL

Por Carlos Eduardo Freitas

“Combati o bom combate”, Dilma Rousseff, primeira mulher eleita Presidenta do Brasil! É, ela venceu. Na verdade, a vitória histórica dessa mulher de fibra, com 56% dos votos – quase de 56 milhões de brasileiros e brasileiras – representa a conquista daqueles que acreditaram neste projeto. O melhor de tudo é que a festa da democracia celebra a eleição do seu quinto representante maior após o duro e medonho período da Ditadura Militar que o país viveu. Ou melhor, da sua, agora, representante maior.

A mineira Dilma Vana Rousseff Linhares, do Partido dos Trabalhadores (PT), no auge dos seus 63 anos de idade, venceu! Venceu a dureza de um pensamento machista que, infelizmente, ainda dar as cartas no Brasil, venceu uma campanha eleitoral suja e caluniosa contra ela, venceu parte, significante, de uma imprensa que obedeceu aos interesses do adversário dela – imprensa esta cuja liberdade, em seu primeiro discurso, a Presidenta eleita assegurou que vai garantir:  “Prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio da ditadura”!

Para os opositores que preferem o insulto ao reconhecimento da escolha democratica da maioria do povo brasileiro, restou comentários maldozos, xenofóbicos e preconceituosos contra os nordestinos. Ao menos, o candidato derrotado, José Serra, do PSDB, reconheceu que se fez prevalecer a vontade do povo e desejou um bom governo para sua adversária.

A sabedoria de Lula


“Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo. Baterei muito a sua porta e sei que ele me atenderá”, disse, emocionada e emocionando, a nova Presidenta do Brasil, ao agradecer o apoio, ensinamento e privilegiado convívio com o Presidente da Repúbliba, Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula não só conseguiu a histórica e recorde aprovação popular, com mais de 80% dos brasileiros que o ovaciona, mas também alcançou outra conquista histórica: pela primeira vez o Brasil vai ser governardo por uma mulher – e, é válido lembrar, que foi a primeira disputa eleitoral dela.

Governo de coalisão e diálogo


“Estendo minha mão aos partidos de oposição; da minha parte não haverá discriminação ou privilégios”, esta foi outra frase proferida por Dilma em seu primeiro discurso como Presidenta eleita. Adversários políticos reconheceram a precisão dela em suas palavras.

Na Bahia, Dilma teve 70% dos votos, demonstrando com isso que o povo baiano, além de ter eleito um governador petista, também têm preferência pela Presidenta e quer a continuidade do projeto político implementado pelo Presidente Lula.

Líderes internacionais a parabenizam


Além da preferência da maioria dos brasileiros, Dilma também recebeu felicitações de líderes internacionais. O presidente da França, Nicolas Sarkozy manifestou “muito cálidas felicitações” a Dilma: “[A vitória dela traduz o] reconhecimento do povo brasileiro pelo considerável trabalho feito pelo presidente Lula para fazer do Brasil um país moderno e mais justo”.

Hugo Chávez, presidente da Venezuela, também saudou a Presidenta eleita:  “Vou mandar este beijo para minha querida Dilma, Dilma Rousseff. (Você) vem de longe companheira, te conheço, sabemos de onde você vem, das batalhas pelo Brasil: uma mulher de grande coragem, uma mulher patriota”.

O mesmo fez o presidente de Portugal, Anibal Cavaco Silva, em comunicado oficial: “Estou certo de que o mandato de Dilma constituirá uma renovada oportunidade de aprofundamento do nosso relacionamento e da nossa concertação estratégica. Pode, Vossa Excelência, contar com o meu firme empenho pessoal nesse sentido”.

Mandato


Dilma parece herdar, com tudo isso, um Brasil que aprova seu sucessor e ídolo, Lula, e uma relação internacional de admiração e respeito com vários chefes de estado.

Ao fim, telefonemas furtivos, boatos e calúnias na internet, em panfletinhos cladestinos e em alguns cultos e sermões religiosos, enfim, toda uma campanha subterrânea e preconceituosa não foram suficientes para derrotar a candidata e agora Presidenta eleita do Brasil, Dilma Rousseff.

É como disse Marina Silva (PV) em seu Twitter: “Aquela que era a candidata de uma parte dos brasileiros, a partir de agora, é a presidente eleita de todos nós”.

Agora, é esperar que Dilma faça, de fato, o governo para o qual ela foi eleita. Viva a democracia e parabéns a Dilma Rousseff pela histórica vitória!


CNT/Sensus: Dilma atinge 58,6% dos votos válidos

A Confederação Nacional dos Transportes (CNT) divulgou hoje pesquisa realizada pelo instituto Sensus que revela ampla dianteira de Dilma Rousseff em relação ao adversário tucano. Segundo o levantamento, considerando os votos válidos, a petista venceria a disputa contra Serra por 58,6% contra 41,4%, uma diferença de 17,2 pontos percentuais.

A evolução das intenções de voto na candidata da coligação Para o Brasil Seguir Mudando em relação ao último levantamento do Sensus chama a atenção. Na pesquisa divulgada no começo de outubro, a petista tinha uma vantagem de 4,1 pontos percentuais para o concorrente do PSDB.

Levando em conta todos os votos, Dilma tem 51,9% contra 36,7% de Serra. Os votos brancos e nulos somam 4,7% do eleitorado e 6,8% dos entrevistados declararam estar indecisos. A pesquisa mostra também que 43% do eleitorado jamais votariam em Serra. Do começo de outubro até agora, a rejeição ao tucano cresceu 6 pontos percentuais.

O Sensus também apresentou a expectativa de vitória do eleitorado. Para 69,7% das pessoas, Dilma vencerá as eleições no dia 31 de outubro. O percentual de apostas no tucano é de apenas 22,7%.

No levantamento espontâneo, quando o entrevistado não recebe indicação de nomes para escolher, Dilma vence por uma diferença de quase 15 pontos percentuais: 50,4% a 35,7%. A pesquisa foi realizada entre os dias 23 e 25 desse mês e ouviu 2.000 pessoas em 136 municípios e 24 estados. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

Acompanhe aqui a cobertura diária da campanha de Dilma pelo Twitter.

Fonte: Dilma13.com.br


Miguel Nicolelis: Uma coisa estranha aconteceu em Natal

O texto acima é anexo de um e-mail com informações falsas dizendo que Dilma Rousseff, se eleita, não poderá assumir por não ser brasileira (ela nasceu em Minas Gerais). Segue na linha do movimento da extrema-direita dos Estados Unidos, chamado “birther”, que alega que Barack Obama não nasceu nos Estados Unidos e, portanto, não poderia ser presidente. Nos Estados Unidos, onde racismo explícito é inaceitável, foi a forma que a extrema-direita encontrou de carimbar Obama como “alienígina”, um negro que não sabe seu lugar, que não pode representar um país “de cristãos protestantes e brancos”. O ataque a Obama veio acompanhado da tentativa de classificá-lo como “muçulmano”. Ou seja, foi não apenas uma tentativa dos republicanos de ganhar a eleição, mas de “deslegitimar” o eleito ao classificá-lo como alguém que não pertence à Nação.

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Uma coisa estranha aconteceu na noite passada em Natal

por Miguel Nicolelis*, especial para o Viomundo

Desde que cheguei ao Brasil, há duas semanas, eu vinha sentindo uma sensação muito estranha. Como se fora acometido por um ataque contínuo da famosa ilusão, conhecida popularmente como déjà vu, eu passei esses últimos 15 dias tendo a impressão de nunca ter saído de casa, lá na pacata Chapel Hill, Carolina do Norte, Estados Unidos.

Mas como isso poderia ser verdade? Durante esse tempo todo eu claramente estava ou São Paulo ou em Natal. Todo mundo ao meu redor falava português, não inglês. Todo mundo era gentil. A comida tinha gosto, as pessoas sorriam na rua. No aeroporto, por exemplo, não precisava abrir a mala de mão, tirar computador, tirar sapato, tirar o cinto, ou entrar no scan de corpo todo para provar que eu não era um terrorista.  Ainda assim, com todas essas provas evidentes de que eu estava no Brasil e não nos EUA, até no jogo do Palmeiras, no meio da imortal “porcada”, a sensação era a mesma: eu não saí da América do Norte! Mesmo quando faltou luz na Arena de Barueri durante o jogo, porque nem a 25 km da capital paulista a Eletropaulo consegue garantir o suprimento de energia elétrica para um prélio vital do time do coração do ex-governador do estado (aparentemente ninguém vai muito com a cara dele na Eletropaulo. Nada a ver com o Palmeiras), eu consegui me sentir à vontade.

Custou-me muito a descobrir o que se sucedia.

Porém, ontem à noite, durante o debate dos candidatos a Presidência da República na Rede Record, uma verdadeira revelação me veio à mente. De repente, numa epifania, como poucas que tive na vida, tudo ficou muito claro. Tudo evidente. Não havia nada de errado com meus sentidos, nem com a minha mente. Havia, sim, todo um contexto que fez com que o meu cérebro de meia idade revivesse anos de experiências traumatizantes na América do Norte.

Pois ali na minha frente, na TV, não estava o candidato José Serra, do PSDB, o “partido do salário mais defasado do Brasil”, como gostam de frisar os sofridos professores da rede pública de ensino paulistana, mas sim uma encarnação perfeita, mesmo que caricata, de um verdadeiro George Bush tropical. Para os que estão confusos, eu me explico de imediato. Orientado por um marqueteiro que, se não é americano nato, provavelmente fez um bom estágio na “máquina de moer carne de candidatos” em que se transformou a indústria de marketing político americano, o candidato Serra tem utilizado todos os truques da bíblia Republicana. Como estudante aplicado que ainda não se graduou (fato corriqueiro na sua biografia), ele está pronto para realizar uns “exames difíceis” e ser aceito para uma pós-graduação em aniquilação de caracteres em alguma universidade de Nova Iorque.

Ao ouvir e ver o candidato, ao longo dessas duas semanas e no debate de ontem à noite, eu pude identificar facilmente todos os truques e estratégias patenteados pelo partido Republicano Americano. Pasmem vocês, nos últimos anos, essa mensagem rasa de ódio, preconceito, racismo, coberta por camadas recentes de fé e devoção cristã, tem sido prontamente empacotada e distribuída para o consumo do pobre povo daquela nação, pela mídia oficial que gravita ao seu redor.

Para quem, como eu, vive há  22 anos nos EUA, não resta mais nenhuma dúvida. Quem quer que tenha definido a estratégia da campanha do candidato Serra decidiu importar para a disputa presidencial brasileira tanto a estratégia vergonhosa e peçonhenta da “vitória a qualquer custo”, como toda a truculência e assalto à verdade que têm caracterizado as últimas eleições nos Estados Unidos.  Apelando invariavelmente para o que há de mais sórdido na natureza humana, nessa abordagem de marketing político nem os fatos, nem os dados ou as estatísticas, muito menos a verdade ou a realidade importam. O objetivo é simplesmente paralisar o candidato adversário e causar consternação geral no eleitorado, através de um bombardeio incessante de denúncias (verdadeiras ou não, não faz diferença), meias calúnias, ou difamações, mesmo que elas sejam as mais absurdas possíveis.

Assim, de repente, Obama não era mais americano, mas um agente queniano obcecado em transformar a nação americana numa república islâmica. Como lá, aqui Dilma Rousseff agora é chamada de búlgara, em correntes de emails clandestinos. Como os EUA de Bill Clinton, apesar de o país ter experimentado o maior boom econômico em recente memória, foi vendido ao povo americano como estando em petição de miséria pelo então candidato de primeira viagem George Bush.

Aqui, o Brasil de Lula, que desfruta do melhor momento de toda a sua história, provavelmente desde o período em que os últimos dinossauros deixaram suas pegadas no que é hoje o município de Sousa, na Paraíba, passa a ser vendido como um país em estado de caos perpétuo, algo alarmante mesmo. Ao distorcer a verdade, os fatos, os números e, num último capítulo de manipulação extremada, a própria percepção da realidade, através do pronto e voluntário reforço  do bombardeio midiático, que simplesmente repete o trololó do candidato (para usar o seu vernáculo favorito), sem crítica, sem análise, sem um pingo de honestidade jornalística, busca-se, como nos EUA de George Bush e do partido Republicano, vender o branco como preto, a comédia como farsa.

Não interessa que 26 milhões de brasileiros tenham saído da miséria. Nem que pela primeira vez na nossa história tenhamos a chance de remover o substantivo masculino “pobre” dos dicionários da língua portuguesa. Não faz a menor diferença que 15 milhões de novos empregos tenham sido criados nos últimos anos. Ou que, pela primeira vez desde que se tem notícia, o Brasil seja respeitado por toda a comunidade internacional. Para o candidato da oposição esse número insignificante de empregos é, na sua realidade marciana, fruto apenas de uma maior fiscalização que empurrou com a barriga do livro de multas 10 milhões de pessoas para o emprego formal desde o governo do imperador FHC.

Nada, nem a realidade, é  capaz de impressionar os fariseus e arautos que estão sempre prontos a denegrir o sucesso desse país de mulatos, imigrantes e gente que trabalha e batalha incansavelmente para sobreviver ao preconceito, ao racismo, à indiferença e à arrogância daqueles que foram rejeitados pelas urnas e vencidos por um mero torneiro mecânico que virou pop star da política internacional. Nada vai conseguir remover o gosto amargo desse agora já fato histórico,  que atormenta, como a dor de um membro fantasma, o ego daqueles que nunca acreditaram ser o povo brasileiro capaz de construir uma nação digna, justa e democrática com o seu próprio esforço. Como George Bush ao Norte, o seu clone do hemisfério sul não governa para o povo, nem dele busca a sua inspiração. A sua busca pelo poder serve a outros interesses; o maior deles, justiça seja feita, não é escuso, somente irrelevante, visto tratar-se apenas do arquivo morto da sua vaidade, o maior dos defeitos humanos, já dizia dona Lygia, minha santa avó anarquista. Para esse candidato, basta-lhe poder adicionar no currículo uma linha que dirá: Presidente do Brasil (de tanto a tanto). Vaidade é assim, contenta-se com pouco, desde que esse pouco venha embalado num gigantesco espelho.

Voltando à estratégia americana de ganhar eleições, numa segunda fase, caso o oponente sobreviva ao primeiro assalto, apela-se para outra arma infalível: a evidente falta de valores cristãos do oponente, manifestada pela sua explícita aquiescência para com o aborto; sua libertinagem sexual e falta de valores morais, invariavelmente associada à defesa do fantasma que assombra a tradição, família e propriedade da direita histérica, representado pela tão difamada quanto legítima aprovação da união civil de casais homossexuais. Nesse rolo compressor implacável, pois o que vale é a vitória, custe o que custar, pouco importa ao George Bush tupiniquim que milhares de mulheres humildes e abandonadas morram todos os anos, pelos hospitais e prontos-socorros desse Brasil afora, vítimas de infecções horrendas, causadas por abortos clandestinos.

George Bush, tanto o original quanto o genérico dos trópicos, provavelmente conhece muitas mulheres do seu meio que, por contingências e vicissitudes da vida, foram forçadas a abortos em clínicas bem equipadas, conduzidas por profissionais altamente especializados, regiamente pagos para tal prática. Nenhum dos dois George Bushes, porém, jamais deu um plantão no pronto-socorro do Hospital das Clínicas de São Paulo e testemunhou, com os próprios olhos e lágrimas, a morte de uma adolescente, vítima de septicemia generalizada, causada por um aborto ilegal, cometido por algum carniceiro que se passou por médico e salvador.

Alguns amigos de longa data, que também vivem no exterior, andam espantados com o grau de violência, mentiras e fraudes morais dessa campanha eleitoral brasileira. Alguns usam termos como crime lesa pátria para descrever as ações do candidato do Brasil que não deu certo, seus aliados e a grande mídia.

Poucos se surpreenderam, porém, com o fato de que até o atentado da bolinha de papel foi transformado em evento digno de investigação no maior telejornal do hemisfério sul (ou seria da zona sul do Rio de Janeiro? Não sei bem). No caso em questão, como nos EUA, a dita grande imprensa que circunda a candidatura do George Bush tupiniquim acusa o Presidente da República de não se comportar com apropriado decoro presidencial, ao tirar um bom sarro e trazer à tona, com bom humor, a melhor metáfora futebolística que poderia descrever a farsa. Sejamos honestos, a completa fabricação, desmascarada em verso, prosa e análise de vídeo, quadro a quadro, por um brilhante professor de jornalismo digital gaúcho.

Curiosamente, a mesma imprensa e seus arautos colunistas não tecem um único comentário sobre a gravidade do fato de ter um pretendente ao cargo máximo da República ter aceitado participar de uma clara e explicita fabricação. Ou será que esse detalhe não merece algumas mal traçadas linhas da imprensa? Caso ainda estivéssemos no meio de uma campanha tipicamente brasileira, o já internacionalmente famoso “atentado da bolinha de papel” seria motivo das mais variadas chacotas e piadas de botequim. Mas como estamos vivendo dentro de um verdadeiro clone das campanhas americanas, querem criminalizar até a bolinha de papel. Se a moda pega, só eu conheço pelo menos uns dez médicos brasileiros, extremamente famosos, antigos colegas de Colégio Bandeirantes e da Faculdade de Medicina da USP, que logo poderiam estar respondendo a processos por crimes hediondos, haja vista terem sido eles famosos terroristas do passado, que se valiam, não de uma, mas de uma verdadeira enxurrada, dessas armas de destruição em massa (de pulgas) para atingir professores menos avisados, que ousavam dar de costas para tais criminosos sem alma .

Valha-me Nossa Senhora da Aparecida — certamente o nosso George Bush tupiniquim aprovaria esse meu apelo aos céus –, nós, brasileiros, não merecemos ser a próxima vítima do entulho ético do marketing eleitoral americano. Nós merecemos algo muito melhor.  Pode parecer paranoia de neurocientista exilado, mas nos EUA eu testemunhei como os arautos dessa forma de fazer política, representado pelo George Bush original e seus asseclas,  conseguiram vender, com grande sucesso e fanfarra, uma guerra injustificável, que causou a morte de mais de 50 mil americanos e centenas de milhares de civis iraquianos inocentes.

Tudo começou com uma eleição roubada, decidida pela Corte Suprema. Tudo começou com uma campanha eleitoral baseada em falsas premissas e mentiras deslavadas. A seguir, o açodamento vergonhoso do medo paranóico, instilado numa população em choque, com a devida colaboração de uma mídia condescendente e vendida, foi suficiente para levar a maior potência do mundo a duas guerras imorais que culminaram, ironicamente, no maior terremoto econômico desde a quebra da bolsa de 1929.

Hoje os mesmos Republicanos que levaram o país a essas guerras irracionais e ao fundo do poço financeiro acusam o Presidente Obama de ser o responsável direto de todos os flagelos que assolam a sociedade americana, como o desemprego maciço, a perda das pensões e aposentadorias, a queda vertiginosa do valor dos imóveis e a completa insegurança sobre o que o futuro pode trazer, que surgiram como conseqüência imediata das duas catastróficas gestões de George Bush filho.

Enquanto no Brasil criam-se 200 mil empregos pro mês, nos EUA perdem-se 200 mil empregos a cada 30 dias. Confrontado com números como esses, muitos dos meus vizinhos em Chapel Hill adorariam receber um passaporte brasileiro ou mesmo um visto de trabalho temporário e mudar-se para esse nosso paraíso tropical. Eles sabem pelo menos isto: o mundo está mudando rapidamente e, logo, logo, no andar dessa carruagem, o verdadeiro primeiro mundo vai estar aqui, sob a luz do Cruzeiro do Sul!

Fica, pois, aqui o alerta de um brasileiro que testemunhou os eventos da recente história política americana em loco. Hoje é a farsa do atentado da bolinha de papel. Parece inofensivo. Motivo de pilhéria. Eu, como gato escaldado, que já viu esse filme repulsivo mais de uma vez, não ficaria tão tranqüilo, nem baixaria a guarda. Quem fabrica um atentado, quem se apega ou apela para questões de foro íntimo, como a crença religiosa (ou sua inexistência), como plataforma de campanha hoje, é o mesmo que, se eleito, se sentirá livre para pregar peças maiores, omitir fatos de maior relevância e governar sem a preocupação de dar satisfações aqueles que, iludidos, cometeram o deslize histórico de cair no mais terrível de todos os contos do vigário, aquele que nega a própria realidade que nos cerca.

Aliás, ocorre-me um último pensamento. A única forma do ex-presidente (Imperador?) Fernando Henrique Cardoso demonstrar que o seu governo não foi o maior desastre político-econômico, testemunhado por todo o continente americano, seria compará-lo, taco a taco, à catastrófica gestão de George Bush filho. Sendo assim, talvez o candidato Serra tenha raciocinado que, como a sua probabilidade de vitória era realmente baixa,  em último caso, ele poderia demonstrar a todo o Brasil quão melhor o governo FHC teria sido do que uma eventual presidência do George Bush genérico do hemisfério sul. Vão-se os anéis, sobram os dedos. Perdido por perdido, vamos salvar pelo menos um amigo. Se tal ato de solidariedade foi tramado dentro dos circuitos neurais do cérebro do candidato da oposição (truco!), só me restaria elogiá-lo por este repente de humildade e espírito cristão.

Ciente, num raro momento de contrição, de que algumas das minhas teorias possam ter causado um leve incômodo, ou mesmo, talvez, um passageiro mal-estar ao candidato, eu ousaria esticar um pouco do meu crédito junto a esse grande novo porta-voz do cristianismo e fazer um pequeno pedido, de cunho pessoal, formulado por um torcedor palmeirense anônimo, ao candidato da oposição. O pedido, mais do que singelo, seria o seguinte:

Candidato, será  que dá pro senhor pedir pro governador Goldman ou pro futuro governador Dr. Alckmin para eles não desligarem a luz da Arena Barueri na semana que vem? Como o senhor sabe, o nosso Verdão disputa uma vaguinha na semifinal da Copa Sulamericana e, aqui entre nós, não fica bem outro apagão ser mostrado para todo esse Brazilzão, iluminado pelo Luz para Todos, do Lula. Afinal de contas, se ocorrer outro vexame como esse, o povão vai começar a falar que se o senhor não consegue nem garantir a luz do estádio pro seu time do coração jogar, como é que pode ter a pretensão de prometer que vai ter luz para todo o resto desse país enorme? Depois, o senhor vem aqui e pergunta por que eu vou votar na Dilma? Parece abestalhado, sô!

* Miguel Nicolelis é um  dos mais importantes neurocientistas do mundo. É professor da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, e criador do Instituto Internacional de Neurociência de Natal, (RN). Em 2008, foi indicado ao Prêmio Nobel de Medicina.

Fonte: Vi O Mundo


PARABÉNS, PRESIDENTE LULA

O Blog Galera Dilma 13 homenageia nosso presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, pelos seus 65 anos de vida!